Um tiro certeiro em nosso próprio pé

A arma que mais destrói relacionamentos, sejam eles de amizade, profissionais ou amorosos, é a metralhadora da traição. A traição quebra o elo mais importante em qualquer tipo de relacionamento, o elo da confiança. Mas não vamos ficar aqui, contando casos de traição em relacionamentos, existem muitos programas de TV especializados nesse tipo de assunto. Quero destacar um tipo de traição que não ganha espaço na grande mídia, mas que leva muita gente a um estado emocional tão degradante, que pode até chegar a ser pior que os causados por traições entre casais ou amigos. Estou me referindo as traições que fazemos para com nós mesmos. Disparamos a metralhadora da traição contra nós mesmos.

Muitas vezes nem percebemos que estamos sendo atingidos por esses tiros, embora as feridas estejam expostas. Muitas pessoas ao nosso redor são capazes de perceber antes que nós, pois nosso corpo, nossa expressão, nosso humor, denunciam que fomos atingidos. Nesse tipo de traição, também vale o ditado popular: “Marido/Esposa traído (a) é sempre o/a último (a) a saber”. E nunca é bom ser último a saber de algo tão constrangedor.

Mas os sinais estão presentes e nós podemos sim saber quando estamos nos traindo e até mesmo saber quando estamos tentados a cometer uma dessas traições. Basta prestar atenção no que três partes do nosso corpo, podem nos dizer. Prestar atenção no estômago, coração e mente.

O estômago, coitado, é um dos que mais levam tiros dessa metralhadora das traições. Pois aquilo que alma não consegue digerir, ou seja, aquilo que contraria seus valores essenciais, acaba caindo como uma bomba em seu estômago. Hollywood usa isso em muitos filmes, você já deve ter visto uma cena, onde um personagem mata alguém e depois corre para vomitar. Isso é um sinal claro de que esse ato contraria algum valor daquele que o cometeu, diferente de um assassino profissional que mata com tranquilidade, pois esse ato não contrariou nenhum valor presente em sua vida.

O coração é onde as balas mais poderosas costumam encontrar seu alvo. Quantas vezes não fizemos coisas em nossas vidas com aquela “dor no coração”? Somos levados por uma força que julgamos ser maior do que nós, a fazer algo que afeta todo nosso campo emocional. Normalmente colocamos a culpa na razão, pois ela pedia uma atitude que contrariava o coração. Vejo nas empresas, pessoas que ao entrar no escritório e vestirem a fantasia de “chefes”, começam a agir com frieza, chegam a ser duros e nada empáticos com seus colaboradores. Muitos deles confessam para seus amigos, serem forçados a agir assim, pois no ambiente profissional, as pessoas abusam quando um líder se envolve com os problemas de seus colaboradores. Esses são conhecidos como chefes bipolares, aqueles que fora da empresa são pessoas maravilhosas e dentro da empresa são verdadeiros monstros.

 A mente ou consciência, denomine da forma que você preferir. Essa, sofre a longo prazo, pois o estômago e o coração já sofreram no momento, mas quem armazena a cena do tiroteio e fica revivendo o ocorrido, com todos os seus detalhes é a nossa consciência. Os efeitos são aquelas dores de cabeça que surgem após um dia de trabalho, aquelas noites de insônia, onde nossa mente não consegue relaxar. Precisamos aprender que nossa consciência não nos permite deixar coisas sem uma solução adequada aos nossos valores, quando essas pendências existem, ela não nos deixa relaxar. Algumas vezes, o fim desse ciclo só ocorre quando pedimos desculpas e mostramos arrependimento de algo que fizemos.

Mas por quanto tempo podemos suportar essa traição?

Muitas pessoas passam uma vida inteira assim. Traindo a si mesmo. Atirando em si mesmos. Seja no campo profissional ou pessoal, elas deixam de agir sob seus valores, para se enquadrarem em uma realidade que para elas, exige a traição. Uma realidade onde elas só serão aceitas ou terão algum êxito, caso não sejam elas mesmas. Caso deixem uma parte delas de lado, para satisfazer o mundo ao seu redor. Assim vivem em casamentos ou carreiras que só trazem infelicidade.

Outros acabam decidindo romper com esse ciclo de desrespeito consigo. Resolvem encarar o mundo com autenticidade, sem abrir mão de seus valores. Jogam a metralhadora no fogo, levantando a bandeira branca da paz. Mudam sua postura dentro do trabalho, podem até chegar a sair de um emprego que já tem a anos, ou até buscar uma nova carreira. No campo pessoal, começam a ser mais sinceros em seus relacionamentos, muitas vezes são surpreendidos com os resultados disso, pois as pessoas com quem se relacionam, ficam felizes com uma postura mais autêntica, outras vezes, descobrem que estão vivendo em um mundo com pessoas que não tem nada a ver com elas e resolvem sair em busca de outros relacionamentos mais saudáveis.

Todos nós sabemos que nossa grande meta é a felicidade, mas me parece ser impossível alcançar essa meta, se não confiarmos em nós mesmos. É impossível ser feliz traindo a pessoa mais importante da sua vida. Você mesmo.

Hora de ir em frente pessoal, buscar os sonhos, pois eles nunca nos traem.

Um grande abraço e até a próxima.

andré

 

André L. G. Ferreira, Coach certificado pela International Coaching Community, Administrador e especialista em Qualidade.

 

 

 

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