O dia em que aprendi a respirar

E foi em um encontro, com a querida e iluminada Susan Andrews, que descobri que passei praticamente um terço da minha existência sem saber respirar. É, isso mesmo. Mas deixe-me explicar.

Respirar é automático, nossa existência depende disso, e quando nascemos ninguém nos ensina a respirar, damos o primeiro sopro fora do útero e tudo começa, como disse, automaticamente a acontecer, responsabilidade do nosso sistema nervoso autônomo.

Agora, quantas pessoas já te disseram em uma situação de estresse ou conflito: “Calma, respira.” Como se você já não estivesse fazendo isso, e como se respirar fosse tirar do caminho todos os problemas daquele momento. Ás vezes, o estresse até aumenta quando alguém te diz isso. Mas, adivinhe? Sim, respirar pode sim te ajudar a trazer a calma em momentos de estresse, e não exclusivamente por uma questão mental ou emocional, e sim fisiológica.

Nosso sistema nervoso autônomo possui duas divisões importantes diante de situações de estresse: o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático. Lembram-se das aulas de biologia? O sistema nervoso simpático é aquele que ‘age’ diante de situações de perigo iminente e estresse, pois ele aumenta o batimento cardíaco, a pressão arterial e ativa a adrenalina no nosso organismo. É ele que é ativado quando uma criança está prestes a cair e a mãe corre para socorrê-la, é ele que está presente quando você fica alerta diante de uma situação de perigo. E nestas situações o que costuma ocorrer é que parece que ‘falta ar’, procuramos inspirar cada vez mais, ficamos mais ofegantes, buscando cada vez mais ar, e ativamos ainda mais a s funções do sistema nervoso simpático, ou seja, mais adrenalina, batimentos cardíacos mais acelerados e pressão arterial mais alta.

Já, o sistema nervoso parassimpático, tem função antagônica ao anterior, é ativado em estados de relaxamento e descanso, reduzindo os batimentos cardíacos e a dilatação dos vasos sanguíneos. E isso é favorecido pelo ato de expirar o ar de nossos pulmões. Desta forma, primeira lição aprendida: quando o estresse e a ‘falta de ar’ aparecem, não adianta tentar inspirar somente a paciência que provavelmente não vai acontecer.  Expire, expire lentamente a raiva e angústia que você está sentindo aí dentro, longamente, deixando-as saírem e sentindo a calma tomar conta de você.

Quando começamos a estar mais atentos à nossa respiração, esse ato automático do nosso organismo, começamos a perceber algumas coisas que no dia a dia não notamos. Notamos que o ritmo de nossa respiração diz muito sobre cada um de nós. A vida agitada, cheia de adrenalina que nos faz respirar em um ritmo cada vez mais rápido, e também, faz com que algumas coisas acabem passando mais rápido em nossas vidas: pequenos momentos de felicidade diários, como o prazer de um almoço cotidiano em família, ou o som dos pássaros em uma caminhada no parque. A angústia de completar a agenda e as tarefas faz com que encaremos essas atividades como obrigações e que percamos o prazer que cada uma delas pode nos proporcionar. Esse ritmo que nos impomos no dia a dia faz como que essa agitação e cobrança interna sejam mais frequentes. Enquanto você faz uma tarefa já pensa na próxima a realizar, a mente não para, e faz com que respiremos cada vez mais rápido.

Desacelerar, realizar as atividades com calma e tranquilidade, silenciando a mente, faz com que estejamos mais presentes em cada momento, presentes integralmente, e aproveitemos todos os sabores do momento. Na próxima refeição que irá preparar, esteja presente, coloque uma música, corte os legumes e lave as verduras, sinta os aromas da preparação de sua refeição, coloque intenções de amor e carinho no alimento que você está cozinhando cada vez que mexer a colher, agradeça por essa oportunidade. Sinta o sabor do alimento, você se dedicou para prepará-lo. Depois dessa experiência, observe se algo mudou.

Faço um último convite: pare por alguns minutos, preste atenção em sua respiração, expire cada vez mais profundamente e inspire cada vez mais longamente e lentamente. Observe, sinta seu corpo e sua mente se acalmando, e aproveite o que este momento pode te proporcionar. Você pode entrar em contato consigo mesmo de uma forma que poderá te surpreender. Essa foi a lição mais valiosa que aprendi naquele dia.

Engraçado como esses encontros acontecem, ás vezes buscamos uma coisa e surpreendentemente encontramos outras. Depois de 32 anos, aprendi a respirar. Aprendi a respirar cada momento da vida, verdadeiramente.

Até logo!

Sabrina

 

Sabrina Green, Psicóloga, Coach certificada pela International Coaching Community e especialista em Recursos Humanos.

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2 comentários sobre “O dia em que aprendi a respirar

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