Em companhia de si mesmo: o que posso aprender ao estar só?

Quem tem medo de ficar sozinho? Acredito que a maioria das pessoas responderia de forma afirmativa a esta pergunta.

Por que será que atualmente estar sozinho assusta tanta gente?

Hoje em dia, acaba-se analisando as qualidades de si próprio utilizando os demais como referência, é uma comparação que distingue e cria diferenças, tais como classes sociais, tribos, modas e estilos. O sentimento de pertencimento a esses grupos nos faz sentir mais seguros, mais adequados e, à medida que o outro me aceita, acabo me aceitando mais também. Isso acontece também em nossas relações de trabalho e pessoais, e também tem um lado saudável, de companheirismo na relação de um casal, por exemplo. Afinal, quem nunca abriu mão de escolher o sabor da pizza pra atender a preferência do outro?

Porém, quando minha referência é sempre a partir do outro, os momentos de solidão soam como os piores momentos de nossa vida. Estar só, nestas horas, não é somente a falta de companhia, mas de saber realmente quem eu sou, o que gosto, o que não gosto, é olhar pra dentro de si. E aí bate aquele friozinho na barriga, porque não sabemos o que podemos encontrar, e pior, não sabemos se vamos gostar do que iremos encontrar.

Será que não existe nada positivo em estar em sua própria companhia?

Claro que sim! O principal motivo é o autoconhecimento, e, somente praticando você poderá desfrutar desta excelente oportunidade.

Logo, seguem algumas dicas de como proporcionar uma experiência positiva de encontro com seu eu interior:

– Primeira lição: primeiro cuide de si. E cuidar de si não precisa se transformar em egoísmo, pode simplesmente ser amor próprio. A prática do amor próprio faz você se aceitar como é. Com suas virtudes e oportunidades de evolução que surgem no seu caminho. Se aceite.

– Proporcione ao outro: Cuidando de si, você desenvolverá cada vez mais aptidão para cuidar dos outros, amor verdadeiro nunca é demais. Lembrando que o amor verdadeiro não espera nada em troca, dá às vezes sem receber. E pense sempre no princípio da abundância: quanto mais proporciono, mais gera, mais retorna, seja para você, ou para o universo.

Reserve algum momento do seu dia para pensar em você: como foi seu dia? O que você fez de bom? O que poderá fazer diferente no próximo dia? O que você aprendeu sobre si mesmo no dia de hoje? Você pode fazer uma lista no final de cada dia, e ver o quanto cresceu. E sim, crescemos a cada dia! Até mesmo a discussão com o chefe faz você aprender algo sobre si mesmo.

– Faça um exercício como se fosse um observador de si mesmo: Em silêncio, simplesmente seja, observe o que passa em sua mente, sem nenhum julgamento, somente observe. Observe como sua mente funciona, as lembranças que aparecem e como se conectam entre si. Você pode até lembrar-se dos sentimentos que as lembranças te trouxeram, mas não vivenciá-los neste momento. Lembre-se: você é apenas um observador.

– Dedique um tempo para prestar atenção ao aparato físico que você possui e que muitas vezes esquece que também faz parte de você: Seu corpo. Observe, cuide dele, experimente um novo alimento, faça uma massagem, veja como seu corpo responde a cada tipo de experiência e sinta como você pode cuidar cada vez melhor dele.

– Você também pode escolher uma atividade que te proporcione esse encontro com você mesmo, seja ela a meditação, o silêncio, ouvir uma música, dançar sozinho, cozinhar. Que reflexões, sentimentos e ideias surgem destas atividades?

Seja grato. Agradeça a Deus, ao Criador, ao Cosmos, a Buda, ao seu Mentor, ou qualquer que seja a entidade que você acredite. Agradeça às pessoas que passaram por seu caminho e às experiências e aprendizados que te proporcionaram. Agradeça a você, por tudo que pôde realizar neste dia.

Aliás, você já parou pra pensar em quantas vezes você estava em meio a uma multidão de pessoas e mesmo assim estava sozinho com seus pensamentos? Isso acontece a todo o momento. Assim, não se assuste. Aproveite seu momento só.

Os melhores momentos de reflexão acontecem quando se está só. E são estes momentos que aumentam seu autoconhecimento, que é a chave do desenvolvimento humano.

Quanto mais me conheço, mais posso proporcionar momentos de alegria para mim e para o outro. Aumento minha autoestima. Posso ter uma vida mais saudável e equilibrada: mentalmente, emocionalmente e fisicamente.

Gosto muito de uma frase de nosso querido Nelson Mandela que me remete ao tema e incentiva a aproveitar da melhor forma meus momentos sozinha:

“É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.” 

Até breve,

Sabrina

 

Sabrina Green, Psicóloga, Coach certificada pela International Coaching Community e especialista em Recursos Humanos.

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6 comentários sobre “Em companhia de si mesmo: o que posso aprender ao estar só?

  1. Gostei da frase atribuída ao Nelson Mandela: “É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.” Mas talvez o maior medo seja o de não ser aceito (como um igual, ou assim como somos mesmo) dentro da comunidade que vivemos, a ponto de diminuirmos nossa luz para não ofuscar / amedrontar outros à nossa volta. Não por sermos “bonzinhos”, mas por falta de auto-confiança / baixa auto-estima / medo de ser solitário, ou mesmo receio de ser mal compreendido e ser considerado uma ameaça perante a sociedade estabelecida. Ainda quando percebemos que a sociedade faz de tudo para manter as coisas sob controle, nos treinando para a submissão, nos bombardeando diariamente com notícias direcionadas (que nos roubam a paz e a fé na humanidade), distorcendo fatos e tentando re-escrever a própria história de acordo com seus interesses sectários.
    Sim, momentos de “companhia de si mesmo”, são ótimos para percebermos melhor a realidade (sem a lente que focaliza apenas do politicamente correto).
    Não. Buscar a “companhia de si mesmo” por períodos longos é pernicioso, ainda mais em tempos de internet, em que quase se pode ter uma “vida virtual”.
    Não, fugir do convívio social, com a desculpa de “buscar a si próprio”, não nos torna melhor. Apenas isola o perigo de nossa luz, não contaminando os outros. Não propagando a chama. E o que não propaga, apaga (do ponto de vista de quem olha de fora de nós mesmos).
    Só temos a real percepção de nós mesmos, a partir da comparação com o próximo, ainda que seja distante ou só nos conheçamos de ouvir dizer.
    Sim, relacionar-se é perigoso, quando parecem querer apagar / isolar nossa chama, mas delicioso, quando a chama das idéias se propagam.
    Pergunto: quando este risco vale a pena ?

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    • Acredito que o equilíbrio é a chave para qualquer processo de desenvolvimento e autoconhecimento. Estar só e ampliar a consciência sobre si mesmo e até que ponto o outro me impacta pode ser revelador. Se conhecer a aprender a compreender verdadeiramente o mundo ao nosso redor pode ser uma oportunidade de evolução extraordinária, no qual os olhos do outro podem me fazer evoluir e me afetar positivamente, sem interferir em minha essência. Tudo depende de nosso olhar e perspectiva.

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