Desvendando os segredos da Meditação

Antes de procurar desenvolver maiores conhecimentos sobre a meditação, confesso que tinha uma visão um pouco esotérica do tema. Então, uma amiga querida me enviou um artigo sobre grandes executivos como Peter Senge, Daniel Goleman e o falecido Steve Jobs, que incluíram a prática da meditação em suas vidas e seus depoimentos de como essa prática transformou e equilibrou suas vidas tanto pessoal, como profissional.

Embora ainda um pouco cética sobre o tema, comecei a me deparar com grandes treinadores e coaches que meditam diariamente e, iniciei minha busca para desvendar os segredos da meditação.

Para iniciar, acredito que seja importante definir o que é meditação. Quando falamos em meditar, a própria palavra traz uma conotação errada sobre sua definição, pois questionamos ‘meditar sobre o quê?’. Portanto, a melhor forma de compreender o significado da meditação é retornar à origem da palavra em sânscrito (língua erudita da Índia), dhyana, que significa ‘estou em meditação’, ou ao pé da letra ‘eu sou meditação’.

Gosto particularmente da definição que Osho traz sobre a meditação, que é simplesmente ser. Mas como podemos simplesmente ser? É importante clarificar dois polos deste processo: concentração e contemplação. A concentração é focada em um único ponto, enquanto a contemplação abrange uma área mais extensa, é voltar o olhar para o todo. Osho diz que a meditação está no meio dos dois estados, de concentração e contemplação. Quando você não estiver fazendo absolutamente nada, em silêncio, tanto física quanto mentalmente, quando você estiver simplesmente sendo, está em meditação.

Um ponto importante é quebrar alguns paradigmas que geralmente temos, do senso comum, em relação à meditação.

Posição para meditar: confesso que só de pensar na posição de lótus já aparecia o desânimo. Osho esclarece que a posição de lótus é cultural da Índia, as pessoas estão acostumadas a se sentar nessa posição, para eles é natural e confortável, isso não quer dizer que você precisa se sentar nessa posição para meditar. Se você mora em um país, frio, por exemplo, não faz sentido se sentar no chão, provavelmente uma cadeira será mais confortável. Você deve procurar a posição mais confortável para você, independente de qual seja. Só não vale deitar, por um simples fato: a probabilidade de você cair no sono é bem grande! Também não há um momento apropriado, e sim um estado de relaxamento, que pode acontecer em qualquer momento.

Meditação não é religião. É comum vermos as práticas de meditação estarem associadas à religião, porque algumas religiões realmente adotam a meditação como uma prática, por exemplo, o budismo. Porém, a meditação é vida e não um meio de vida, por isso não precisa estar necessariamente conectada a nenhuma prática religiosa. Algumas pessoas que iniciam a prática da meditação começam também a tomar mais cuidados com a sua alimentação, e estar mais atentos ao desenvolvimento de sua espiritualidade, no aspecto de refletirmos sobre a unicidade do ser: corpo, mente e alma/espírito. Acredito que estes impactos em outras áreas de sua vida sejam somente uma consequência de estar mais atento para si.

Meditar é difícil. Confesso que no início, realmente acreditava que meditar fosse extremamente difícil, e, principalmente porque cada vez que tentava ficar mais concentrada, mais coisas diferentes vinham à minha mente, que começava a realizar uma viagem sem fim. Compreendi, através dos ensinamentos do Osho que isso é normal no início, que nossa mente, como ele diz, é tagarela.  Isso significa que ela é alimentada o tempo todo de informações, palavras, e pensamentos, o que nos faz viver sempre no passado ou no futuro, pois ou você está pensando sobre algo que já aconteceu ou planejando algo que irá acontecer no futuro, ou seja, ela mantém você ocupado o tempo todo. O segredo é silenciar a mente, pois no presente somente é necessária a consciência, e não a mente. E, é só esperar, porque a meditação acontece.

Agora vamos ao que interessa: de que forma a meditação pode beneficiar sua vida?

Existem inúmeros benefícios físicos provados cientificamente: redução da dor e melhora do sistema imunológico, aumento do fluxo sanguíneo, diminuição da frequência cardíaca e prevenção de doenças cardíacas.

Diminuição do estresse. O nosso dia a dia é desafiador: reuniões, trânsito, etc, e a cada desafio diário parece que os momentos de tensão vão se acumulando. A prática da meditação diária faz com que a pessoa rompa a espiral da reação de enfrentamento ou fuga diante de situações de estresse ou ansiedade. Isso acontece porque a pessoa que medita relaxa com mais facilidade e encara com menos frequência ocorrências inocentes como nocivas ou perigosas para si, se recuperando mais rapidamente diante de situações de estresse, segundo Goleman. Por exemplo, depois de ter chegado atrasado ao trabalho porque seu filho ficou doente, a probabilidade de você encarar a primeira reunião do dia como estressante é grande; treinando através da meditação seu estado de relaxamento, você poderá encarar seu atraso como um fato, chegar mais tranquilo ao trabalho para participar da reunião como em qualquer outro dia comum. Também existem diversos benefícios psicológicos: alivia a depressão, ansiedade, raiva e confusão mental.

Aumento do controle mental e poder de concentração. Isso ocorre porque através da meditação você também treina sua capacidade de prestar atenção. E isso produz ganhos importantes também para os relacionamentos, pois a pessoa que medita está mais atenta ao ambiente, percebe alterações mais sutis e consegue criar uma relação maior de empatia e conexão quando está com outra pessoa, pois presta atenção total ao outro.

Autoconhecimento. Quando se pratica a meditação diária, como Osho diz, você se torna um ótimo observador de si mesmo. Além de ver os fatos com maior clareza, consegue separar o que é seu e o que pertence ao outro ou ao ambiente.

Estes são apenas alguns benefícios da prática da meditação.

Posso dizer que hoje transformei muitas das minhas crenças em relação à meditação e que estou em busca de aprofundamento desta prática contínua, que tem contribuído para um maior equilíbrio. Antes olhava para o Buda com certo receio e pensava: não é possível que alguém possa um dia se tornar um ser tão equilibrado, concentrado e calmo como este! Porém, aprendi que todos podemos ser Buda.

Desta forma, te convido a dar o primeiro passo! Confira em breve no novo artigo!

Até a próxima!

Sabrina

 

Sabrina Green, Psicóloga, Coach certificada pela International Coaching Community e especialista em Recursos Humanos.

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