O pensar e a arte do viver

Muitas vezes não notamos o quanto estamos trancados dentro da caixa do pensamento linear, e o que a crença em que esse seja o único modelo de pensamento possível ocasiona em nossa vida. Reflexo desta armadilha em que nós, como indivíduos e sociedade, nos encontramos foi o que vivenciei com meu sobrinho de apenas oito anos quando estávamos em um passeio de automóvel. Ao presenciarmos um motorista de outro veículo lançando papéis na via pública, compartilhei com meu sobrinho minha indignação diante da triste cena de descaso que estávamos presenciando. A solução encontrada por meu sobrinho para não termos mais esse tipo de postura, servindo também para resolver os demais péssimos exemplos que presenciamos ao andarmos por nossas cidades, é que me levaram a escrever esse texto. Para meu sobrinho, bastávamos ter mais câmeras de monitoramento e assim o município teria como punir pessoas que atirassem objetos nas ruas.

O pensamento linear, fez com meu sobrinho o que faz com todos nós frente a alguns problemas:

“Buscamos soluções simplórias e imediatas para problemas complexos”

O raciocínio mecanicista nos fez evoluir em uma velocidade espantosa, principalmente nas últimas décadas. Mas, problemas relacionados ao comportamento humano, ou seja, não-mecanicistas, por estarem ligados principalmente ao campo emocional, não encontram soluções sustentáveis através da simples dinâmica de causa e efeito, erro e punição.

A dualidade presente em nossos julgamentos – certo ou errado, bonito ou feio, inocente ou culpado etc , além de dificultar a nossa compreensão de mundo, também nos leva a uma guerra entre o que sentimos e pensamos frente ao que é apropriado e aceito no meio em que vivemos. Precisamos aceitar que nossas decisões normalmente são tomadas sem levarmos em conta que vivemos em sistemas integrais, e que cada um de nós também é um ser integral por si só. O pensamento linear precisa dar lugar ao pensamento integral e complexo, onde inclusive, o pensamento linear também terá seu lugar definido, ou seja, em questões onde sua mecanicidade seja apropriada à situação que se pretende solucionar.

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As pessoas precisam aceitar suas incoerências com o mundo e até com elas mesmas, a busca desenfreada pela coerência só tem gerado sofrimento e violência. Respostas que pareciam as mais certas ontem, ao amanhecer de hoje podem ter perdido sua validade. Aceitar essa dinâmica, e a aleatoriedade nos acontecimentos sem a necessidade de compreendê-los é o que podemos chamar de a verdadeira arte do viver.

Por mais parecidas que possam ser nossas visões de mundo, cada um de nós vai dar significados diferentes a todas as coisas que existem, e a todas as situações pelas quais cada um irá enfrentar ou já enfrentou em sua vida. O mundo é e sempre será de acordo com seu estado interior. Como o filósofo Ludwing Wittgenstein diz:

“Somos o mundo, e o mundo do homem feliz é diferente daquele do infeliz. Logo, se estivemos insatisfeitos com ele, a única maneira de mudar algo é mudar a nós mesmos.”

Buscamos a felicidade por meio de conclusões retiradas do passado, acreditando que sempre haverá uma jurisprudência capaz de nos levar de uma nova situação que nos traga infelicidade, para uma que nos faça feliz. Não estou dizendo que o passado deve ser abandonado em qualquer busca de aperfeiçoamento ou solução, mas incentivando o melhor aproveitamento de todos os avanços e a maturidade que o tempo já nos trouxe, para assim podermos ir em busca de soluções mais integrais, que nos aproximem da real felicidade.

É hora até de questionar o pensamento de Aristóteles, onde todo o conhecimento novo se baseia em conhecimentos preexistentes. Pois, se continuarmos a acreditar nesse conceito, não acreditamos na existência do novo, e sempre estaremos presos ao passado, presos a ciclos sem fim.

Meu convite a você com esse texto, é um convite ao mergulho em um mundo existente além do captado por seus cinco sentidos. Busque em sua essência, em suas contradições totalmente ilógicas, suas próximas definições para o futuro. Seja menos mecânico e mais humano, aceitando que a vida não se trata de um sistema binário e limitado de combinações. A vida é infinita em suas possibilidades, isso é o que nos faz seres únicos.
Por fim, acredito que só se pode ser feliz aceitando a complexidade e imprevisibilidade da vida, por isso:

“Construa suas verdades, mesmo que sejam tão frágeis quanto todas as outras que existem”.

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Foto André

 

André L. G. Ferreira, Master Reiki, Coach certificado pela International Coaching Community, Administrador ,especialista em Qualidade , e Instrutor em Mindfulness.
http://www.greendh.com.br
andre.ferreira@greendh.com.br

 

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