Você sente orgulho de contar aos outros o que tem feito em seu trabalho?

Ontem assisti a uma palestra do Márcio Fernandes, autor da Filosofia de Gestão e do livro Felicidade dá Lucro. Ele disse uma coisa que me ficou na cabeça e ressoou no meu coração e, hoje, ao acordar, não tinha como não refletir e escrever sobre este tema.

“Se você chega em sua casa e não pode contar o que fez no seu dia de trabalho, ou sente vergonha, é o momento de refletir sobre suas escolhas de trabalho.”

No momento em que o Márcio disse isso, senti um aperto no peito, e me recordei das vezes em que isso aconteceu durante a minha carreira em grandes organizações. E, mais que isso, refleti sobre ‘Qual é o limite? Até onde trabalhar a Aceitação e Falar Não’?

Quando me lembro destes momentos me recordo de duas situações específicas:

Primeiro, alguns momentos em que me pediram para fazer algo que eu não julgava ético corporativamente e pessoalmente, e, em todas as vezes me sinto feliz e em paz de ter dito um “Não”.  Por sorte foram poucas vezes, as pessoas que me conheciam bem já nem me pediam para fazer coisas que não estavam dentro dos limites da ética, porém, os meus poucos “Nãos” e minhas características que faziam com que as pessoas nem pensassem em ir me pedir algo “não ético” dentro da empresa, tiveram consequências e me custaram alguns outros “Nãos”: aumento, promoção, projeto bacana mas que precisava “dar um jeitinho” e “ajustar um número” para atender o Diretor X ou Y.

Em segundo lugar, me fez refletir sobre os momentos que de fato tinha vergonha de contar, por exemplo, para o meu marido, como tinha sido meu dia de trabalho. Estes momentos estavam relacionados a outras duas situações específicas: conviver com processos, sistemas e pessoas arcaicos que não tinham nenhuma vontade de evoluir, e gostaria de frisar que a parte que me dava vergonha era justamente “não tinham nenhuma vontade e evoluir”. E a outra situação, que era o que realmente “me pegava” fundo na alma: conviver com gestores de pessoas, principalmente da área de Recursos Humanos, que não sabiam e nem queriam aprender a fazer Gestão de Pessoas.

Escolhi trabalhar com desenvolvimento humano e confesso que minha inspiração para cada uma destas situações sempre foi tentar gerar uma mudança. Uma mudança, não para somente para que eu acreditava que era o certo ou os modelos de excelência em Gestão de Pessoas, mas para, pelo menos, o mínimo necessário para o respeito ao ser humano. Por isso, minha ação sempre foi trazer à consciência, seja através de feedbacks, exemplos de situações, sendo o exemplo em alguns momentos, mostrando vantagens de fazer diferente, mas, muitas vezes isso passou longe de dar certo. E, sempre me questionei, qual é o limite? Qual o limite para aceitação do outro como é versus quando o comportamento do outro te faz ter vergonha de contar como foi seu dia de trabalho?

Não sei se existe uma única resposta para esta questão, mas posso contribuir trazendo a minha: meus limites são os meus valores, sempre.

Valores e comportamentos diferentes nos fazem aprender com os outros, traz diversidade à nossa vida, e evolução a partir do olhar do outro. Porém, quando você tem que conviver em um espaço com comportamentos e valores que são os opostos ao que você acredita, isso a longo prazo, te traz uma incoerência interna não sustentável.

E, como Richard Barrett disse, quanto mais você evolui para um nível de consciência de mente autotransformadora, você busca uma coesão externa entre o que você acredita e o que você faz, você busca se dedicar ao seu propósito e como líder, satisfazer seus valores através de servir as pessoas de forma ética.

Por isso, acredito que talvez seja o momento de se questionar sobre suas escolhas de trabalho:

  • Tenho vergonha de contar o que faço no trabalho quando chego em casa?
  • Estou atendendo a satisfação de meus valores no meu local de trabalho?

E, se as respostas para estas perguntas forem respectivamente sim e não, talvez seja o momento de mudança, interna e talvez externa.

Também, tenha certeza que existem muitas empresas e lideranças que estão buscando um profissional como você: ético e com propósito, que respeite os seus próprios valores e sinta orgulho de ser quem é.

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Sabrina Green é Consultora de Desenvolvimento Humano e Organizacional, Psicóloga e Coach pela ICC.
http://www.greendh.com.br
Contato: sabrina.green@greendh.com.br

 

 

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